Baleia morre na Tailândia após ingerir 80 sacolas plásticas


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Uma baleia-piloto macho lutou por cinco dias para se manter viva na Tailândia, perto da fronteira com a Malásia, após socorristas acharem quase 8 kg de sacolas plásticas em seu estômago, segundo informa o jornal norte-americano Washington Post. No fim das contas, o grande mamífero não aguentou e morreu.

A morte da baleia foi na sexta-feira (1º), e uma autópsia feita pelo departamento de recursos marinhos e costeiros da Tailândia descobriu que o mamífero tinha 80 sacolas plásticas no seu estômago.

Não é a primeira vez que baleias ficam doentes ou morrem por ingerirem lixo. Segundo especialistas, isso ocorreu pois elas acreditam que as sacolas são comida:

Autoridades da Tailândia disseram que elas confundiram plástico flutuante com comida. As baleias-piloto costumam comer lulas, mas também são conhecidas por caçarem polvos e pequenos peixes, sobretudo quando é difícil encontrar lulas, informou a Sociedade Americana dos Cetáceos. Thon Thamrongnawasawat, biólogo marinho da Universidade Kasetsart, da Tailândia, disse à AFP que a grande porção de plástico encontrada no estômago da baleia a fez morrer de fome. "Se você tiver 80 sacolas de plástico no seu estômago, você morre", disse.

De acordo com o Washington Post, não está claro se a baleia-piloto era de nadadeiras curtas ou longas — isso porque as de nadadeiras curtas são nativas da região. Nenhuma das espécies está listada como ameaçada ou em risco de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza, porém as de nadadeiras curtas tiveram uma redução de 30% na população nos últimos 71 anos. Ameaças a baleias incluem a caça ilegal, redes de pesca e futuros impactos causados pelo aquecimento global.

O biólogo tailandês Thon disse que pelo menos 300 animais marinhos morrem nas águas da Tailândia todos os anos após ingerirem plástico que humanos jogam em grande quantidade nos oceanos. Além disso, esses itens levam centenas de anos para desaparecerem completamente. Muito desse lixo fica circulando por longos períodos de tempo, colocando em risco a vida marinha que pode engolir ou se emaranhar com esses itens. Mesmo quando o plástico se decompõe em pedaços menores, eles podem poluir o oceano com nuvens de “microplástico” e produtos químicos perigosos. Acredita-se que uma quantidade significativa de lixo acaba indo para o fundo do oceano e que causa efeitos ainda não compreendidos no ecossistema marinho — o que muito provavelmente não é nada bom.

O jornal norte-americano cita ainda um estudo de 2014 que concluiu que pelo menos cinco trilhões de pedaços de lixo estavam espalhados pelos oceanos, com cerca de 245 mil toneladas de pequenos e grandes detritos de plástico perto da superfície. Estimativas mais recentes são ainda mais desalentadoras no que diz respeito ao cuidado humano com a natureza. Um estudo desse ano concluiu que só a Grande Porção de Lixo do Pacífico contém mais de 80 toneladas de plástico.

O Golfo da Tailândia é um dos locais do país asiático com particular abundância de poluição de plástico. De acordo com o Bangkok Post, nadadores encontraram uma região com 1 km de lixo flutuante na província de Prachuap Khiri Kahn alguns meses após uma outra faixa grande de detritos ter sido achada na região em fevereiro.

A Tailândia é o 6º país que mais joga plástico no oceano, de acordo com um estudo de 2015 da Ocean Conservacy e do McKinsey Centre for Business and Environment. O departamento de controle de poluição da Tailândia disse que o lixo plástico está aumentando 12% anualmente, com apenas 25% do plástico sendo reutilizado (a grande maioria é composta de sacolas plásticas). O Bangkok Post diz que 23 províncias costeiras na Tailândia geram cerca de nove milhões de toneladas de lixo diariamente, 10% disso são jogados diretamente no mar. Não existe expectativa para redução da poluição causada por plástico no curto prazo, pois vários países asiáticos estão crescendo exponencialmente, superando a infraestrutura de gerenciamento de resíduos.



Fonte: GIZMODO Brasil/Tom McKay
Foto: Jeff J Mitchell/Getty Images)

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