Empresas lançam prédios com carro, bicicleta e apartamento de uso coletivo

Algumas construtoras estão lançando empreendimentos que oferecem aos moradores a possibilidade de eles compartilharem carros, bicicletas e até apartamentos. Este desenho mostra a perspectiva do apartamento compartilhável que será entregue no Smart Santa Cecília, da Gafisa, em São Paulo. Clique nas imagens acima e veja outros exemplos

Foto divulgação

Você estaria disposto a dividir carro, bicicleta e até um apartamento mobiliado com outros moradores do seu prédio? Algumas construtoras apostam que muita gente está e lançaram projetos que oferecem essas possibilidades.

A Gafisa lançou recentemente o Smart Santa Cecília, no centro de São Paulo, que terá na garagem três carros e 12 bicicletas para uso coletivo.

O prédio também será entregue com um apartamento de 26m² mobiliado. Ele ficará disponível para aluguel, no mesmo sistema usado nos salões de festas, por exemplo.

"Como os apartamentos são pequenos, é mais difícil receber outras pessoas. A unidade mobiliada servirá para os moradores acomodarem as visitas", diz Octávio Noronha, gerente de negócios da Gafisa.
Rede social para moradores

O Smart Santa Cecília tem 260 apartamentos, de 26m², 36m² e 52m². Os apartamentos menores, no formato studio (versão moderna da antiga quitinete), custam a partir de R$ 198 mil à vista; os maiores, com dois quartos, saem a partir de R$ 450 mil.

O uso das bicicletas não terá custo e o aluguel do apartamento compartilhável será definido pelo condomínio.

No caso dos carros (modelos populares, na faixa de R$ 30 mil), a expectativa é que o morador pague cerca de R$ 15 por hora e R$ 0,50 por quilômetro rodado, mas os valores podem mudar até a entrega do empreendimento, daqui a três anos.

O prédio também terá um espaço de co-working, uma espécie de escritório compartilhado que poderá ser usado por quem trabalha em casa, mas não tem estrutura completa, com mesa e cadeira apropriadas, dentro do apartamento. 

A empresa criou um aplicativo, o Smart Gafisa, para que o morador se comunique com a portaria e faça reservas dos serviços compartilhados. A ideia é que o aplicativo sirva como uma espécie de rede social dos vizinhos, que eles poderão usar para trocar experiências e propor outras trocas, oferecendo ou pedindo caronas, por exemplo.

A Gafisa pretende levar o mesmo modelo para empreendimentos que serão lançados na Vila Madalena e em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
Economia compartilhada

O executivo da Gafisa afirma que a inspiração veio de empreendimentos de alto padrão de cidades como Nova York, Miami (ambas nos EUA) e Berlim (Alemanha), onde o conceito de economia compartilhada, que prevê a troca de produtos e serviços, está mais desenvolvido.

Mas pelo menos uma empresa já vem testando o modelo em condomínios no Brasil. A Vitacon oferece o serviço de compartilhamento de carros e bicicletas em edifícios comerciais e residenciais há cerca de quatro anos. Alguns empreendimentos da empresa também têm espaços de co-working. 

Na semana que vem, a Vitacon vai lançar o Vita Bom Retiro, no centro de São Paulo, que terá, além desses serviços, compartilhamento de moto e, assim como no caso da Gafisa, um apartamento para uso de todos os moradores por meio de aluguel.

"Os serviços compartilhados sempre tiveram uma aceitação muito boa. Acreditamos que o futuro está ligado ao compartilhamento de tudo", diz o presidente da Vitacon, Alexandre Frankel.

Octávio Noronha, da Gafisa, concorda. "O compartilhamento, sem dúvida, é uma tendência mundial, e o Brasil começou a incorporar isso de maneira muito forte, como vemos por meio da polêmica em torno do Uber [aplicativo de transporte particular] e do Airbnb [plataforma de aluguel de casas para temporada]", diz.




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