Integrantes do manifesto em defesa da cultura fazem balanço dos debates com candidatos ao governo e criticam ausência de Paulo Câmara

Carol melo/coligação PE – divulgação

Integrantes do movimento que gerou o manifesto “Cultura: direito do povo, obrigação do Estado” estão fezendo, nesta quinta feira, 02 de outubro, a análise crítica das propostas do candidato a governador pelo PSB, Paulo Câmara, para o setor.
O socialista foi o único postulante ao Executivo que não se dispôs a debater com os organizadores, nem formalizou suas posições em relação ao manifesto.
Nesta quarta-feira (01) ele lançou seu programa de governo. Os projetos para área de cultura estão sob análise, mas a ausência de Câmara motivou também um desagravo de artistas e produtores.
Paralelamente, o grupo fez um balanço sobre os debates que fizeram com os demais candidatos.
“Balanço e Desagravo – Coligação da Cultura – PE” (como o movimento de se denomina).
Pernambuco, 1º de outubro de 2014.
(As informações são do grupo que compõe o manifesto)

Balanço
Passados 21 dias da fundação da Coligação da Cultura PE e 17 dias do lançamento do Manifesto Cultura: direito do povo, obrigação do Estado, vimos atualizar a sociedade pernambucana sobre os passos dados nesse curto e intenso período.Somos mais de 1.400 apoiadores de um movimento que engloba segmentos e categorias que influenciam e lideram áreas econômicas, sociais e profissionais que perpassam a Cultura Popular, a Tecnologia da Informação e as mais diversas linguagens artísticas. Dentre os nossos apoiadores estão nomes como: Alessandra Leão, Alceu Valença, Bruno Lins, Cristiana Tejo, Fábio Trummer, Gutie, Karina Buhr, Kléber Mendonça Filho, Leidson Ferraz, Liana Gesteira, Pedro Severien, Pupillo, Rogerman, Siba, Otto, Tibério Azul, Tiger, Xico Sá, Zé Brown entre outros.
A Coligação da Cultura PE surgiu para intervir de forma direta no processo eleitoral de 2014, motivados pela condução política e midiática evasiva da maioria das campanhas, amparada em falta de conteúdo que contemple um setor estratégico, a Cultura, que em vários momentos é expressada com seus símbolos de forma meramente caricata, superficial e “complementar”. Sintomático, neste sentido, que as duas coligações com maiores percentuais de intenção de votos tenham, poucos dias após o lançamento do Manifesto, reservado tempo de seus guias na TV e produtos/postagens da web para esta pauta, sem confirmarem, até aquele momento inicial, disponibilidade para o diálogo e o debate com os signatários da coligação.
Em nosso Manifesto, que dirige o posicionamento político desse movimento contemporâneo e suprapartidário – amplamente divulgado pela imprensa pernambucana e em publicações nacionais -, fundamentamos nossas diretrizes ao apresentar 12 propostas. Paralelamente, convidamos os candidatos ao Governo do Estado de Pernambuco para debater presencialmente suas posições políticas acerca do documento, debates estes com metodologia totalmente favorável à exposição das ideias. Até o presente momento foram quatro encontros. O candidato Paulo Câmara (PSB) se negou a participar alegando falta de tempo, além disso, não apresentou posição política sobre o conteúdo do documento. O candidato Pantaleão (PCO) não participou do debate, mas se declarou signatário do manifesto. Eis o resumo da posição política dos candidatos nos debates, por ordem cronológica:
Miguel Anacleto (PCB) (23/09/14) – Apresentou seu Plano de Governo e incorporou o Manifesto, na íntegra, ao seu programa. Da mesma forma, disponibilizou o seu partido para colaborar na evolução das ideias do Manifesto.
Jair Pedro (PSTU) (24/09/14) – Defende a revolução socialista e, tal qual a linha nacional do PSTU, propõe 2% do PIB para a Cultura. Valorizou a importância da mobilização e entende que a organização através de partidos é necessária para avanços das lutas sociais.
Zé Gomes (25/09/14) – Incorporou o manifesto na íntegra ao seu programa de governo. Colocou o seu partido à disposição da defesa das propostas e valorizou o processo que gerou a Coligação da Cultura – PE, uma nova referência estudada pelo PSOL em termos de militância e organizações digitais.
Armando Monteiro (29/09/14) – Integrou 11 propostas do Manifesto ao seu Plano de Governo. O ponto que o candidato não se comprometeu, foi o da elevação do percentual de 0,4% para 2% do orçamento em investimentos mínimos na Cultura. Nessa questão, posicionou-se de modo contrário à vinculação de percentuais fixos do orçamento para diversas áreas/pastas: “teremos, ao final, uma estrutura em que os governos não teriam como definir prioridades”. Apesar de reconhecer que o percentual é muito baixo e que vai evoluir de acordo com as políticas públicas planejadas, esse é um ponto crucial que pode comprometer outros pontos do Manifesto, que dependem diretamente de aporte de recursos.
Desagravo
Consideramos grave e não compreendemos a negativa recorrente do candidato Paulo Câmara (PSB) em participar do debate, uma vez que o mesmo sequer formalizou uma posição política sobre o Manifesto. Foram 360 horas pra reservar apenas duas, 360 horas para formular um documento que respondesse aos 12 pontos do Manifesto. O candidato Paulo Câmara indicou o vice e sua equipe de programa de governo como opção para o debate, iniciativa previamente tomada pelo candidato Armando Monteiro (PTB) que, posteriormente, debateu presencialmente conosco.
A Coligação da Cultura PE, em duas reuniões presenciais e após enquete no seu grupo público (Internet), decidiu que o debate teria que ser exclusivamente com os candidatos ao governo, o que por sua vez não impedia um posicionamento sobre o Manifesto. A chapa que tem Paulo Câmara (PSB) como candidato a governador não emitiu nenhuma opinião, tampouco estabeleceu qualquer compromisso. A falta de tempo não é uma justificativa aceitável. Sabemos que, por mais atribulada que seja uma campanha em reta final, as agendas são definidas de acordo com a estratégia das candidaturas dia-a-dia, inclusive é assim que a imprensa recebe a programação dos candidatos. A Cultura não foi prioridade no programa de governo de Paulo Câmara, nem a força do nosso movimento foi tratada com a relevância devida. Nesta semana final de campanha, por exemplo, o Governo de Pernambuco (PSB), através da EMPETUR, autorizou o pagamento de um cachê de R$ 100 mil para a Banda Cheiro de Amor, para uma apresentação na cidade de Calçado, o que exemplifica e fundamenta que a continuidade da Política Cultural desenvolvida pelo governo, apesar de alguns avanços, está desvirtuada.
Por fim, recebemos um ultimato que esperamos, encarecidamente, que possa ser revogado. No último email recebido da assessoria do candidato Paulo Câmara (foram 19 entre recebidos e enviados nesse período) uma afirmativa soou como presunçosa e nos deixou com uma sensação de impotência. O candidato, através da sua assessoria, anunciou vitória e firmou compromissos que simplesmente desconhecemos: “reiteramos nossos compromissos com as demandas e os anseios dos vários segmentos que fazem a rica Cultura Pernambucana. Compromissos que Paulo pretende levar adiante a partir do dia 1º de janeiro de 2015″.
A Coligação da Cultura-PE interpreta a ausência do candidato Paulo Câmara como a continuidade de um processo atrasado e que historicamente relega a Cultura a um segundo plano, a começar pelo canal de diálogo sempre tão estreito, que indica o nível de prioridade que será dado ao diálogo direto caso ele venha a ser Governador do Estado. Ainda há tempo desta candidatura firmar compromissos com a coligação da Cultura-PE. 
Estamos no aguardo.
Blog do Josué Nogueira - Diário de Pernambuco

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