Morre Lorin Maazel aos 84 anos

Maestro foi diretor de orquestras como a Filarmônica de Munique e a de Nova York


RIO - O maestro Lorin Maazel faleceu aos 84 anos — anunciaram neste domingo os organizadores do Festival Castleton, fundado pelo artista. Maazel morreu na Virgínia, nos Estados Unidos, vítima de complicações de uma pneumonia, segundo porta-vozes do Festival Castleton.

Lorin Varencove Maazel nasceu em Paris em 1930, filho de um casal (mãe cantora, pai pianista) que estudava música na França na época. Desde cedo, mostrou aptidão para a música. Aos 5, quando sua família se mudou para os Estados Unidos, começou a estudar piano e, aos sete, violino. Ainda na infância, tido como prodígio, impressionou críticos e maestros com sua firmeza e personalidade na regência.

Aos 11 anos, ele foi convidado para reger a Orquestra Sinfônica NBC num concerto com transmissão ao vivo, com peças de Wagner, Medelssohn e Dika Newlin. Ofendidos com o fato de serem regidos por uma criança, os músicos o receberam no primeiro ensaio com pirulitos na boca. Mas passaram a respeitá-lo pouco depois, quando ele parou o ensaio para corrigir uma nota errada.

Aos 15, interrompeu sua carreira para começar a estudar na Universidade de Pittsburgh. Mas não parou completamente — no período, por exemplo, criou o Fine Arts Quartet of Pittsburgh. Em 1953, teve início o que Maazel considerava a fase madura de sua carreira, como maestro do Teatro Bellini, na Itália.

Na década de 1960, Maazel regeu cerca de 300 concertos, à frente de mais de 20 orquestras europeias. E à época já tinha reconhecimento suficiente para ser convidado a reger a ópera “Lohengrin”, de Wagner, em Bayreuth, na Alemanha. Aos 30 anos de idade, ele era o maestro mais jovem — além de ser o primeiro americano — a se apresentar na cidade que tem a casa de ópera construída para Wagner e sua música.

Como adulto, porém, Maazel era praticamente desconhecido nos EUA. Mas em outubro de 1962 ele cruzou o país com a Orquestra Nacional Francesa, um grupo da rádio parisiense com a qual ele manteria um longo relacionamento, sendo seu diretor musical de 1977 a 1991. Depois, foi regente convidado da Filarmônica de Nova York e da Metropolitan Opera, onde regeu “Don Giovanni” e “Der Rosenkavalier”

No meio dos anos 1960, Maazel já fazia gravações para dois dos mais prestigiados selos de música clássica da Europa, como o Deutsche Grammophon e Decca, com as filarmônicas de Berlim e de Viena. Depois, gravaria com outros selos ainda. Entre os destaques de sua discografias, estão suas versões de sinfonias de Beethoven, Mahler e Sibelius.

O maestro tratava o trabalho de uma forma diferente. Em vez de conduzir pouco mais de 12 semanas de concertos e passar o bastão para regentes convidados, como estava virando norma à época, ele chegou a passar o ano inteiro à frente das orquestras. Em 1982, virou diretor da Ópera de Viena.

Ele trabalhou tanto como regente como gestor de orquestras.

— Trabalhei tanto como gesto musical quanto como regente por 20 anos — disse em uma entrevista, em 1985. — E durante esse tempo dediquei toda a minha atenção às organização que me contrataram. Foram seis anos em Berlim, dez em Cleveland e três em Viena. Regi 132 orquestras.

Ele foi bem remunerado por seu trabalho. Quando assumiu a Orquestra de Rádio da Bavária, em 1991, chegou a ganhar US$ 3,8 milhões de salário. Quando deixou a Filarmônica de Nova York, em 2009, ele ganhava US$ 3,3 milhões.

Maazel teve reconhecimento também como compositor. Ao longo de sua carreira, foi diretor-geral da Ópera estatal de Viena, diretor musical da Rádio Sinfônica de Berlim, da Orquestra Sinfônica da Rádio da Bavária, da Sinfônica de Pittsburgh, da Orquestra de Cleveland, da Filarmônica de Munique e da de Nova York, como informa a página do Festival na Internet.

Sua primeira ópera — baseada no livro “1984” de George Orwell — teve sua première na Royal Opera House. Maazel fundou o Festival Castleton em sua fazenda na Virgínia, junto com sua mulher, em 2009. O evento conta com concertos anuais e seminários.

Em 2011, o maestro regeu a Orquestra Sinfônica Brasileira dentro do “ciclo Beethoven”. Sobre o concerto, o crítico Luiz Paulo Horta escreveu: “A interpretação da orquestra, sob a direção de Maazel, esteve perto da perfeição (...) Qual a receita do bolo? Primeiro, um maestro que não deixa um detalhe ao acaso, que é um soberbo ensaiador. A segunda razão é misteriosa: nos casos em que a relação maestro-orquestra funciona em nível muito alto, há um momento em que os detalhes técnicos cedem a vez a uma espécie de ‘transmutação alquímica’, quando maestro e orquestra parecem trabalhar com um único coração. É assim que se faz grande arte”.

Em junho deste ano, Maazel cancelou concertos que faria na Cidade das Artes com a OSB — um ciclo de Mozart e Tchaikovsky em três apresentações em agosto. De acordo com comunicado oficial do próprio maestro, o cancelamento ocorreu por motivos de saúde.

Maazel deixa esposa e sete filhos, entre os nascidos em seu primeiro e segundo casamentos.


Fonte: O Globo
Crédito: Marcos Ramos



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