Proibir cigarro no Brasil é "fascismo"? E nos EUA?

Articulistas da Folha e da revista Veja dizem que é “fascismo” a intenção do Governo Federal de proibir o cigarro em recintos fechados. São os mesmos que tratam a proibição, nos EUA, como "medida civilizatória"


Por José Inácio Werneck, diretamente de Bristol, Connecticut, EUA
A fumaça dos fumantes

Há muitas vantagens em morar neste país e uma, nada desprezível, é que você cada vez menos encontra fumantes.

Dou um exemplo: no prédio onde trabalho, no Foro de Danbury, há centenas de funcionários mas raramente você encontra um deles perto da porta, dando uma tragada no cigarro.

Não estão lá, naquele local designado, porque quase não fumam mais.

Pensando bem, creio que não tenho, em minhas relações, nenhum americano fumante.

Isto acontece apesar do esforço de marketing da indústria de tabagismo, que paga atores e atrizes para darem baforadas em cigarros, numa tentativa de influenciar a população.

Não incentivam.

O cigarro já foi símbolo de sofisticação. Hoje é considerado cafona, coisa de gente atrasada.

Aliás, os países em que mais se fuma são os do Terceiro Mundo.

Por isto, não me surpreendi com um artigo num jornal paulista chamando de “fascismo” [1] a intenção do Governo Federal de proibir o fumo em recintos fechados.

O autor do artigo diz que o fumo só faz mal a ele mesmo e a seus colegas de vício, o que é uma grossa mentira.

O fumo de segunda mão, que pode vir tanto diretamente da fumaça do cigarro quanto da fumaça exalada pelo fumante, é extremamente perigoso para o “fumante passivo”, aquele que se encontra nas cercanias do fumante, sobretudo nos recintos fechados.Quem diz isto não é Benito Mussolini nem Adolf Hitler, mas a Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos Estados Unidos, o Programa Nacional de Toxicologia dos Estados Unidos, a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (órgão da World Health Organization), entre outros.

Segundo eles, a fumaça do cigarro tem 250 produtos químicos nocivos, dos quais 69 cancerígenos.

Estamos falando de câncer do pulmão, da boca, de linfomas, leucemia, câncer da laringe, da faringe, das cavidades nasais, do cérebro (sobretudo em crianças “fumantes passivas”), bexiga, reto e da mama.

As crianças cujos pais fumaram durante a gravidez da mãe são cinco vezes mais suscetíveis de sofrerem de hepatoblastoma (um raro câncer do fígado) do que as demais. O hepatoblastoma se inicia quando elas ainda se encontram no útero.

Quando apenas um dos pais fuma, ainda assim elas são duas vezes mais suscetíveis do que as outras crianças.
Há ainda a incidência de asma infantil e de ataques cardíacos em “fumantes passivos”.

Por isto, quando um cidadão insiste em fumar num restaurante, ele está não apenas mostrando que não sabe realmente apreciar um bom prato como está dando uma imensa demonstração de egoísmo.

O governo federal está certo, no que, por sinal, não faz mais do que seguir o exemplo de países civilizados.

________

[1] João Pereira Coutinho, da Folha de São Paulo, e Reinaldo Azevedo, da revista Veja, chamaram o governo brasileiro de fascista por querer proibir o cigarro em ambientes fechados (Pragmatismo Político)


Atualizações

Traduzir