FOMO, o medo de estar por fora do que acontece na internet


Por MADSON MORAES

Ansiedade extrema, incapacidade de se desconectar, medo de estar desinformado ou deixando de saber algo importante; irritação ao não poder conferir o que acontece no mundo virtual e no que os outros estão fazendo nas redes sociais enquanto você não está participando. Se você tem alguma dessas sensações, fique atento, pois pode ser alguns dos sintomas do 'Fomo'. A sigla em inglês quer dizer 'Fear Of Missing Out' e traduzido significa 'medo de estar por fora'.

Um estudo sobre o assunto foi realizado em 2013 pelo pesquisador inglês, Andrew Przybylski, da Universidade de Oxford, nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, que observou a dependência das pessoas em relação à Internet, ser incapaz de se desconectar, ficar incomodado por não saber o que os outros estão fazendo no mundo virtual e até mesmo ficar deprimido diante da felicidade alheia, e excluído da roda de amigos também estão entre os principais sintomas analisados nesta pesquisa. 

Por sua vez, um outro levamentamento, desta vez feito pela Cisco em março do ano passado, ouviu 3,6 mil pessoas de 18 a 30 anos, em 18 países. Segundo os dados obtidos, 48% dos brasileiros checam sempre as novidades do Facebook, Twitter ou mesmo do Instagram antes de se levantarem da cama, escovar os dentes ou mesmo tomar café. Outros 42% dizem que fazem o mesmo sempre que podem. Ainda de acordo com o resultado, 60% conferem sistematicamente suas atualizações nas redes sociais. E destes, dois terços dizem ficar ansiosos ou sentir um vazio quando não estão online.

Mas o 'Fomo' pode ser considerado um aspecto da dependência de internet? A psicóloga Ana Luiza Mano, membro do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática (NPPI) da PUC-SP, entende que existe uma linha bem tênue entre 'Fomo' e dependência de internet, e que não dá para chamar esse 'medo de estar perdendo algo' de síndrome. A partir de todo esse quadro, o NPPI, em São Paulo, já oferece orientação psicológica via e-mail às pessoas que apresentam dificuldades geradas pelos usos compulsivos ou excêntricos dos computadores, caracterizados como dependência.



'Acho que isso é uma maneira que as pessoas encontraram de nomear uma questão humana que está em evidência atualmente. Por quê? Nesse momento temos essa ferramenta poderosa, que é a internet, e que de alguma forma nos apresenta muitas possibilidades. E é angustiante termos tantas possibilidades à mão e não conseguir se apropriar de todas elas', opina Ana Luiza.

Para o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Hospital das Clínicas de São Paulo, o 'Fomo', ou mesmo a questão da nomofobia, o uso excessivo do celular, são alguns dos nomes que, na verdade, batizam um contorno do comportamento disfuncional da pessoa. Ele explica que a questão não é a quantidade de tempo que a pessoa usa o celular, mas sim o quanto que o uso se sobrepõe às necessidades da vida real.

'A pessoa não consegue sair de casa sem o telefone. Ouve o aparelho tocar quando não toca. Esquece o celular em casa e fica o dia inteiro nervoso. Ela passa a trocar aquelas atividades que têm no dia a dia para fazer as que são mediadas pelo computador ou celular', diz Nabuco, um dos organizadores do livro 'Vivendo esse mundo digital – Impactos na saúde, educação e nos comportamentos sociais' (Ed. Artmed).

O psicólogo conta que o Grupo de Dependências Tecnológicas do Hospital das Clínicas de São Paulo pretende começar a atender os dependentes de celular ainda esse ano. 'Faremos isso em breve, possivelmente esse ano. Será o primeiro grupo mundial que temos registro de que trabalhará para tratar dessa patologia. Vai ser um trabalho inédito', explica.

Fonte: Tempo de Mulher


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