Penas e pênaltis, por Luis Fernando Veríssimo


Sou radicalmente contra a pena de morte, mas faço algumas exceções. Quem conversa no cinema durante todo o filme e, por uma estranha deformação da lei das probabilidades, sempre senta atrás de você, merece execução sumária.

Quem liga o seu celular no meio do filme para ver se tem alguma mensagem, e por outra cruel casualidade sempre senta do seu lado: execução sumária — se possível por garrote vil.

Gente que imita aspas com dois dedos de cada mão... Está bem, isto é só uma implicância minha. Sete anos de trabalho forçado.

Casal que se chama de “fofo” e “fofa”: banimento para a Ilha do Diabo, ou similar.

PÊNALTIS

Para um esporte tão antigo, o futebol até que mudou pouco através do tempo. Pensando bem, a única mudança significativa nas suas regras foi na que trata do que podem ou não podem os goleiros. Métodos de aferição eletrônica para ajudar o juiz cedo ou tarde serão adotados, mas não afetarão as regras do jogo. A mudança que eu proponho, sim, é radical. Seguinte: o que determinaria o pênalti não seria o local da falta, mas a sua natureza. Como no basquete.



Em qualquer lugar do campo em que acontecesse uma falta mais violenta... Priii. Pênalti. Caberia ao juiz decidir o que mereceria pênalti ou não, como hoje ele já decide o que merece cartão vermelho, cartão amarelo ou só um aviso. Isto coibiria as entradas criminosas e o jogo violento em geral. Hein? Hein?

Eu sei. Mal tive a ideia e já me ocorreram várias objeções. A nova regra aumentaria demais o poder do juiz de influir no resultado final do jogo. E dobraria o incentivo à encenação dos jogadores para simular uma gravidade inexistente. Pelo menos nos jogadores brasileiros, que já são os mais dramáticos do mundo.

Esquece.


Luis Fernando Veríssimo é escritor.
Fonte: Nobla

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