Doença cerebral rara faz paciente chorar ao tocar em calças jeans

A jovem, chamada apenas de A.W., sofre de uma condição raríssima. Ela era paciente do Dr. Vilayanur Ramachandran, neurocientista da Universidade da Califórnia.

Em um artigo publicado recentemente, ela e seus colegas revelaram detalhes sobre a paciente que descobriu que jeans a deixava deprimida, enjoada e com sensação de desconforto, mas sentia-se feliz quando sua pele entrava em contato com a seda.

Tocar veludo a deixava confusa, o couro trazia sentimentos de que ia receber duras críticas, creme dental com multicores a fazia ter ansiedade, pílula de paracetamol despertava o ciúmes e lixas de unha traziam sensação de culpa ou alívio.

Depois de muitos testes exaustivos, os médicos concluíram que A.W. sofria de uma doença do cérebro conhecida como sinestesia na qual um sentido produz uma reação em outro sentido, porque os caminhos que levam essas informações até o cérebro são confusos.

Ramachandran e seu colega, Dr. David Brang, presenciaram e estudaram outro caso, um jovem chamado de H.S. de apenas 20 anos. Ele sentia uma forte emoção quando tocava jeans, mas ao tocar metais, ele se sentia doce, calmo e quase “sedado”.


Os pesquisadores relataram as pesquisas com os pacientes na revista Neurocase, mostrando que a condição tem raízes na evolução do homem. Eles declararam: “Nossos ancestrais primatas podem ter evoluído mecanismos inconscientes para prever o potencial de um objeto para causar danos. 

Assim, as sensações tácteis que podem ser benéficas para a sobrevivência, tais como peles macias, por exemplo, por fornecerem calor, podem ativar as partes do sistema límbico mediando a sensação de prazer, ao passo que outros podem ser prejudiciais, como pedras pontiagudas”.
A sinestesia pode ocorrer com outros objetos, bem como letras, formas, números, nome de pessoas, cores, cheiros, sabores, etc.
Aproximadamente 4% das pessoas podem ter a condição em algum grau, mas as mulheres possuem 8 vezes mais chances de desenvolverem o problema.

Uma das curiosidades mais marcantes é que a grande maioria das pessoas com sinestesia é canhota.


Fonte: J. Ciência

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