O melhor baterista de frevo do Mundo Adelson Pereira


Adelson Pereira, 63 anos, integrante da Spokfrevo Orquestra, é considerado, quase por unanimidade, o melhor baterista de frevo em atividade. Não chega a ser unanimidade por causa dele mesmo. Adelson Pereira não se considera o melhor: “Em Pernambuco tem muitos bons bateristas de frevo, acho que sou muito procurado para tocar, gravar, porque tenho um estilo diferente, e exatamente por ter tido uma formação diferente, sou um baterista autodidata”. Ele e baterista há 53 anos. Começou a aprender ainda criança, em uma bateria que havia na casa dele: “Meu pai era maestro, em Gravatá, onde nasci, conhecido como mestre Manoel do Bombardino. A bateria era de uma banda, chamavam jazz, que ele dirigia”.

Com seu Manoel do Bombardino, Adelson aprendeu a ler música, bateria era mesmo o seu destino: “Comecei a aprender sozinho. Um diz um rapaz que morava lá perto apareceu lá em casa procurando alguém para tocar bateria, ele estava com uma na casa dele. Meu pai disse que não sabia de ninguém. E ele apontou para mim. Queria que eu fosse com ele. Meu ainda alegou que eu era muito menino, mas acabei indo. Toquei na bateria dele, e quando me preparava para ir embora, ele foi dizendo que eu iria para Caruaru tocar com a banda dele naquela mesma noite, era época de São João. Foi assim que comecei”, conta Adelson, que perdeu a namorada por causada bateria: “Eu ainda argumentei que não podia viajar porque naquela eu deveria brincar um quadrilha. Fui tocar e fiquei sem a namorada”.

Desde 1970, ele é o mais requisitado baterista de estúdio em Pernambuco: “Acho que toco em 80% dos discos de frevo gravados aqui. Comecei na época da Rozenblit, com Nelson Ferreira, embora nunca tenha sido da orquestra dele. Só toquei com ele uma vez, no Nosso Teatro, substituindo o baterista da orquestra, que adoeceu. Mas no estúdio toquei muito. Naquele tempo o estúdio era muito precário. Gravava todo mundo ali dentro e de uma vez só, apena dois canais. Errou, recomeçava tudo. Não é feito hoje que se grava apenas a parte que não saiu boa”, comenta Adelson. Ele gravou do frevo ortodoxo, às inovações de Carlos Fernando, no projeto Asas da América, e até com o Tejucupapo Bando grupo dos anos 70, formado por Mano Gladstone, Rogério Gutemberg, com participações de Marcelo Montenegro, Zezinho Franco, que lançou um compacto pela Rozenblit, com dois frevos eletrificados.

Curioso é que Adelson Pereira conseguia participar de gravações, tocar na orquestra do maestro Zé Menezes, sendo da aeronáutica, de onde se aposentou no posto de sargento. Depois de 30 anos de farda, tocando na banda militar: “Sempre encontrei facilidade de conciliar a banda Aeronáutica com outros trabalhos, viagens. toquei com Sivuca, durante 20 anos com a orquestra do maestro Menezes, que foi o meu mestre, foi quem me jogou às feras, abriu os caminhos para mim. Fiquei na orquestra até que ele decidiu parar. Depois passei mais dez anos com a orquestra de Fernando Borges.. Mas também toquei com Clóvis Pereira, com Duda.

Aposentado da aeronáutica, compromisso como baterista Adelson tem apenas com a orquestra do maestro Spok, com a qual rodou mundo: “Já havia viajado antes, no Voo do frevo, por exemplo, foi com Spok que o frevo passou a ser mais conhecido lá fora. Mas está só começando. Netas viagens a gente sempre vai assimilando coisas. Vai vendo grandes bateristas vendo grandes bateristas como Steve Gadd, Vinnie Colaiuta. Eles tem uma metodologia mais objetiva. E vejo e tento implantar aqui”, diz Adelson, referindo-se desta vez ao que mais ocupa o seu tempo desde a aposentadoria: ensinar. Em Gravatá onde mora, ele mantém uma filarmônica na zona rural da cidade: “Chama-se Manoel do Bombardino, lá no sitio Limeira, perto de um sitiozinho que tenho por lá. São 25 músicos. Está indo bem, mas precisa de apoio, o que é difícil. A orquestra do sítio está passando dificuldades”, comenta, se se queixar, com seu jeito tranquilo.

Na cidade ele está à frente a Sociedade Musical 15 de Novembro, que tem 60 alunos: “As idades variam. Tem menino de sete anos, rapaz de 25, e até um aluno de 70 anos. Mas também não está fácil. A prefeitura dá uma verba, mas faz um bom tempo que não recebemos. O prefeito que saiu ajudava, vamos ver este que entrou agora”.

Fonte: NE10/José Teles

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